INTERMITENTES
Li o projecto de lei que regulamentará a situação dos milhares de indivíduos que ganham a sua vida no campo artístico, sem protecção de qualquer espécie e na total incerteza de ter o que comer vários meses por ano. Pareceu-me uma imbecilidade, ou não viesse do actual gabinete da Ministra da Cultura. Perante uma situação da maior urgência e preocupação estas criaturas propõem uma série de movimentos contratuais que não resolvem coisa nenhuma. Um documento tão incompetente que todos os outros que li eram melhores, incluindo os do PCP e do BE (bom, o do CDS não se percebia e o PSD não faz ideia de que alguém possa estar interessado em trabalhar na zona artística a não ser de nome e para ter um tacho...).
E contudo, as reivindicações são simples: a) queremos descontar tudo o que for devido ENQUANTO SE TRABALHA, b) quando não tivermos trabalho gostaríamos de receber subsídio de desemprego DE ACORDO COM OS DESCONTOS FEITOS.
Isto é complicado de perceber? Só um gabinete de gente estúpida é que não entenderia.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
10 de setembro de 2007
FESTIVAIS
Chegou ao fim o Festival de Cinema de Terror de Lisboa. Pareceu-me, no geral, ter um balanço positivo. Uma boa afluência de público para um primeiro ano e uma escolha de filmes, maioritariamente simpática. Lembro que quanto mais especializada é a temática menor é o número de obras produzidas. E dessas, menor é a possibilidade de encontrar bons filmes.
E dentro de festivais de género, começa esta semana o "QUEER-Festival Gay e Lésbico". Embora do ponto de vista de "hospitalidade" aos diversos públicos me pareça que a alteração para "Queer" (estou para ver as traduções que vão fazer nos telejornais...) o afunile, a programação deu um grande salto qualitativo. Sobretudo nas longas-metragens, onde poderemos assistir a alguns dos melhores filmes produzidos nos dois últimos anos. Mais ou menos relacionados com a temática do festival, mas obras de grande interesse.
Ficamos todos a ganhar quando aparecem, ou se desenvolvem, festivais com boas programações. O que nem sempre acontece.
Chegou ao fim o Festival de Cinema de Terror de Lisboa. Pareceu-me, no geral, ter um balanço positivo. Uma boa afluência de público para um primeiro ano e uma escolha de filmes, maioritariamente simpática. Lembro que quanto mais especializada é a temática menor é o número de obras produzidas. E dessas, menor é a possibilidade de encontrar bons filmes.
E dentro de festivais de género, começa esta semana o "QUEER-Festival Gay e Lésbico". Embora do ponto de vista de "hospitalidade" aos diversos públicos me pareça que a alteração para "Queer" (estou para ver as traduções que vão fazer nos telejornais...) o afunile, a programação deu um grande salto qualitativo. Sobretudo nas longas-metragens, onde poderemos assistir a alguns dos melhores filmes produzidos nos dois últimos anos. Mais ou menos relacionados com a temática do festival, mas obras de grande interesse.
Ficamos todos a ganhar quando aparecem, ou se desenvolvem, festivais com boas programações. O que nem sempre acontece.
7 de setembro de 2007
ABRE A BOCA PASSARINHO QUE A MAMÃ QUER REGORGITAR A MINHOCA
Uma carta enviada a um jornal nacional reflectia de forma solar o pensamento de uma grande fatia das gerações pós-1975.
Um senhor, jovem, presumo, protestava sarcasticamente contra a ideia do actual governo em promover protocolos entre a Banca e o Estado para o empréstimo a estudantes. O rapaz odiava esta ideia de ter de se trabalhar para pagar os estudos. DE ELE ter de trabalhar para pagar o benefício que recebeu. O fim da universidade descontraída e feliz, da mama do Estado, depois da mama da mãe.
A nossa democracia criou milhões de indivíduos que acreditam que o dinheiro cai do céu e que não é preciso fazer mais do que gritar ou chorar para que ele apareça. Primeiro a casa dos pais até aos 20 ou 30 anos, depois o Estado-Providência. Caberia, nesta visão, aos outros a responsabilidade pelo seu bem-estar. Escola certinha e de borla, emprego certinho e de pouco esforço, reforma cedo para poder ir em cruzeiros pelo Mediterrâneo e assim sucessivamente. Esta ideia da Família-Estado já foi tentada, amigos. Durante décadas na União Soviética, só para dar um exemplo. Mas não só não resultou, por contrária à natureza empreendedora que reside no interior dos seres humanos (aparentemente, dos portugueses, nem por isso…), como conduziu a inevitáveis racionamentos de bens, fecho ao resto do mundo e privação de liberdades várias.
Sugeria que começassem a trabalhar, a responsabilizar-se pela educação e desenvolvimento pessoal. Porque os papás, mesmo os papás-estado, morrem um dia.
CONTOS DE TERROR
Foi ontem o lançamento da colectânea de contos de terror, "CONTOS DE TERROR DO HOMEM-PEIXE", pela editora que tem o maravilhoso nome "Chimpazé Intelectual".
É uma boa ideia, juntar escritores mais conhecidos ("mainstream", como diria um dos autores convidados) com outros menos conhecidos ("lowstream"?), acrescentando ainda os vencedores do concurso de contos ("futureornotstream") promovido no âmbito do Festival de Terror, Motelx. Isso torna a coisa mais diversificada e atenua o inevitável desiquilíbrio das encomendas literárias.
Para mim, foi uma boa experiência pensar um género específico. Normalmente, quando escrevo um conto ou romance, trabalho sem referências ou rede. E isso... é muito mais assustador.
Também foi bom ver a sala cheia de gente a assistir ao lançamento. O terror e o festival de cinema MOTELX estão, também por este lado, de parabéns.
4 de setembro de 2007
RENTREE
Ontem perguntaram-me por telefone se "ia mais ou menos". Eu respondi que "ia bem". Que estava sol, tinha a barriga cheia e de saúde. Por isso, estava bem.
No regresso (sobretudo dos outros) ao trabalho, deixo que novas ideias se formem e projectos nasçam em mim do nada. É Setembro, quando o novo ano começa.
Ontem perguntaram-me por telefone se "ia mais ou menos". Eu respondi que "ia bem". Que estava sol, tinha a barriga cheia e de saúde. Por isso, estava bem.
No regresso (sobretudo dos outros) ao trabalho, deixo que novas ideias se formem e projectos nasçam em mim do nada. É Setembro, quando o novo ano começa.
2 de setembro de 2007
MUSEUS
Uma das maiores originalidades que se pode praticar em Portugal, ao domingo, é ir ao museu. Com os centros comerciais ali mesmo ao lado, cheínhos de gente a consumir ou a consumir-se por não o poder fazer, há malucos que perdem tempo a perceber a hístória do seu país ou a maravilhar-se com a arte.
Nunca tinha visitado o Museu do Traje. Nem o do Teatro. Os dois lado a lado, para os lados do Lumiar. Foi hoje.
Não são muito grandes, mas bastante agradáveis, e o pessoal é simpático e acolhedor. Desconfio que na minha distracção devo ter perdido algumas salas, pois a história do vestuário em Portugal há-de ser maior... Mas ainda assim, gostei bastante.
Também esperava um museu do teatro com um espólio maior, mas o resultado foi igualmente agradável.
E para melhorar este efeito contribuiu a visita ao jardim botânico que preenche a propriedade. Bem tratado, de grande dimensão e com uma variedade enorme de plantas. Por cima das copas das árvores mais altas, várias espécies de pássaros, alguns tropicais (presumo que fugidos de cativeiro incerto...).
Desconfio que vou continuar a trocar as delícias de passear no Centro Comercial Colombo por mais uns domingos...
Uma das maiores originalidades que se pode praticar em Portugal, ao domingo, é ir ao museu. Com os centros comerciais ali mesmo ao lado, cheínhos de gente a consumir ou a consumir-se por não o poder fazer, há malucos que perdem tempo a perceber a hístória do seu país ou a maravilhar-se com a arte.
Nunca tinha visitado o Museu do Traje. Nem o do Teatro. Os dois lado a lado, para os lados do Lumiar. Foi hoje.
Não são muito grandes, mas bastante agradáveis, e o pessoal é simpático e acolhedor. Desconfio que na minha distracção devo ter perdido algumas salas, pois a história do vestuário em Portugal há-de ser maior... Mas ainda assim, gostei bastante.
Também esperava um museu do teatro com um espólio maior, mas o resultado foi igualmente agradável.
E para melhorar este efeito contribuiu a visita ao jardim botânico que preenche a propriedade. Bem tratado, de grande dimensão e com uma variedade enorme de plantas. Por cima das copas das árvores mais altas, várias espécies de pássaros, alguns tropicais (presumo que fugidos de cativeiro incerto...).
Desconfio que vou continuar a trocar as delícias de passear no Centro Comercial Colombo por mais uns domingos...
31 de agosto de 2007
WAR
A Tvi é que é boa nisto. Qualquer notícia se reveste de dramatismo. No caso da vitória de Jardim Gonçalves sobre Teixeira Pinto até ilustrou com tanques de guerra. Manifestamente parece-me exagero.
Trata-se apenas de dinheiro. O primeiro deu milhões a ganhar à Opus Dei e aos seus apaniguados. O segundo trouxe prejuízo, com o disparate da Opa sobre o Bpi.
Só dinheiro e poder. Não houve mortes. Quanto muito, menos umas idas de jacto privado para o ex-chefe do BCP...
A Tvi é que é boa nisto. Qualquer notícia se reveste de dramatismo. No caso da vitória de Jardim Gonçalves sobre Teixeira Pinto até ilustrou com tanques de guerra. Manifestamente parece-me exagero.
Trata-se apenas de dinheiro. O primeiro deu milhões a ganhar à Opus Dei e aos seus apaniguados. O segundo trouxe prejuízo, com o disparate da Opa sobre o Bpi.
Só dinheiro e poder. Não houve mortes. Quanto muito, menos umas idas de jacto privado para o ex-chefe do BCP...
30 de agosto de 2007
21 de agosto de 2007
O AMIGUINHO
Perante as irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas na gestão da Cãmara do Funchal, Marques Mendes já se veio mostrar solidário. Tal como tinha feito há pouco tempo com Alberto João, o antigo inimigo.
Mas não haverá ninguém que diga a esta... caganita de fato que este estilo antigo de fazer política, enfiando debaixo do tapete tudo o que tira votos, já deu o que tinha a dar?
Oh, valha-me a nossa senhora do Paúl do Mar...!
Perante as irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas na gestão da Cãmara do Funchal, Marques Mendes já se veio mostrar solidário. Tal como tinha feito há pouco tempo com Alberto João, o antigo inimigo.
Mas não haverá ninguém que diga a esta... caganita de fato que este estilo antigo de fazer política, enfiando debaixo do tapete tudo o que tira votos, já deu o que tinha a dar?
Oh, valha-me a nossa senhora do Paúl do Mar...!
FÉRIAS
Por assim dizer, por uns dias, no país real.
Não falei aqui de uma viagem por mar,mar a sério, nem de baleias à distância no mau tempo, ou dos golfinhos que desafiaram a proa do veleiro. E contudo, também se passou. Como também aconteceu fado com uma fadista melhor do que a Mariza - e que acha que não canta nada - agarrada à parede do navio para não cair, e o fado, o que há de mais portugês em nós, a silenciar provisoriamente amigos espanhóis. Para falar disso, teria de falar de Espanha e dos convites amigos e respeitosos pelos escritores. Aqui mesmo ao lado.
Por assim dizer, por uns dias, no país real.
Não falei aqui de uma viagem por mar,mar a sério, nem de baleias à distância no mau tempo, ou dos golfinhos que desafiaram a proa do veleiro. E contudo, também se passou. Como também aconteceu fado com uma fadista melhor do que a Mariza - e que acha que não canta nada - agarrada à parede do navio para não cair, e o fado, o que há de mais portugês em nós, a silenciar provisoriamente amigos espanhóis. Para falar disso, teria de falar de Espanha e dos convites amigos e respeitosos pelos escritores. Aqui mesmo ao lado.
17 de agosto de 2007
8 de agosto de 2007
O PROBLEMA DA RUTEMARLENE
De todo o lado me chegam convites para abrilhantar feiras do livro, colóquios,etc, etc.
É lisongeiro, dirão.
Não.
Pedem-me, como aliás pedem a toda a gente, que nos metamos no carro, façamos 100, 200, 300 quilómetros para lhes ir abrilhantar a festa, de borla. Que interrompamos o nosso trabalho, as nossas férias, o nosso tempo com a família e partamos para os locais mais afastados sem receber nada em troca. Tipo missão.
Quando se lhes pergunta quanto é que estão a pensar pagar-nos pelo nosso esforço, respondem-nos, friamente, "que não estava previsto". Que o dinheiro foi todo para os cantores, pimbas ou não, para pagar às gráficas ou para o salário da pessoa que organiza.
Num país sem ministério da cultura, em que se ganha misérias com a venda dos livros basta fazer contas a uma deslocação dessas: 10% de um livro que custe 15 euros=1,5 euros x 20 livros- que é o que se assina numa coisa dessas, com sorte - é igual a 30 euros antes de impostos. Ou seja, uma deslocação de centenas de quilómetros, mais gasolina e portagens, mais um dia de trabalho perdido por 30 euros? É este o valor que nós temos para uma vereação de cultura, ou para um organizador de feira de livro?
O que acontece é que os melhores escritores ficam em casa. Naturalmente. Sobram os que têm vergonha de dizer não e os menos conhecidos, que ingenuamente pensam que esta participação lhes "irá abrir portas". Não vai. Enquanto deixarmos que nos tratem como lixo não se abrirá coisa nenhuma. Nós não somos lixo.
E quem paga 10.000 euros ou mais a um cantor pimba também pode arranjar 200 euros para pagar para essa coisa banal que é a Cultura.
Haja vergonha!
De todo o lado me chegam convites para abrilhantar feiras do livro, colóquios,etc, etc.
É lisongeiro, dirão.
Não.
Pedem-me, como aliás pedem a toda a gente, que nos metamos no carro, façamos 100, 200, 300 quilómetros para lhes ir abrilhantar a festa, de borla. Que interrompamos o nosso trabalho, as nossas férias, o nosso tempo com a família e partamos para os locais mais afastados sem receber nada em troca. Tipo missão.
Quando se lhes pergunta quanto é que estão a pensar pagar-nos pelo nosso esforço, respondem-nos, friamente, "que não estava previsto". Que o dinheiro foi todo para os cantores, pimbas ou não, para pagar às gráficas ou para o salário da pessoa que organiza.
Num país sem ministério da cultura, em que se ganha misérias com a venda dos livros basta fazer contas a uma deslocação dessas: 10% de um livro que custe 15 euros=1,5 euros x 20 livros- que é o que se assina numa coisa dessas, com sorte - é igual a 30 euros antes de impostos. Ou seja, uma deslocação de centenas de quilómetros, mais gasolina e portagens, mais um dia de trabalho perdido por 30 euros? É este o valor que nós temos para uma vereação de cultura, ou para um organizador de feira de livro?
O que acontece é que os melhores escritores ficam em casa. Naturalmente. Sobram os que têm vergonha de dizer não e os menos conhecidos, que ingenuamente pensam que esta participação lhes "irá abrir portas". Não vai. Enquanto deixarmos que nos tratem como lixo não se abrirá coisa nenhuma. Nós não somos lixo.
E quem paga 10.000 euros ou mais a um cantor pimba também pode arranjar 200 euros para pagar para essa coisa banal que é a Cultura.
Haja vergonha!
6 de agosto de 2007
5 de agosto de 2007
PARABÉNS!
Em comunicado, o Banco Espírito Santo anunciou: "O resultado do 1º semestre de 2007 totalizou 366,8 milhões de euros, o que representa um
crescimento homólogo de 83% e um ROE anualizado de 20,5%." Ao que consta, o BCP ganhou ainda mais, embora a aventura do BPI o tenha feito perder algum, e o resto dos bancos idem.
Quero aqui saudar os accionistas ganhadores, dar-lhes os meus parabéns em nome dos milhões de portugueses que passam as maiores dificuldades para pagar as prestações da casa, do número crescente de sem-abrigo que todas as noites estende os seus cartões na rua, da população idosa que adormece com barriga reconfortada a pão e leite, dos artistas que definitivamente deixaram de ter dinheiro para comer quanto mais para criar. Do país real, em suma.
Parabéns.
Mais um bocadinho e teremos as rodas dos ganhões, com homens ansiosos encostados às paredes enquanto o capataz aponta o dedo aos que nesse dia poderão alimentar as suas famílias.
Na nossa originalidade portuguesa conseguimos fazer o tempo andar para trás. Pelas minhas contas devemos estar para aí em 1973.
Em comunicado, o Banco Espírito Santo anunciou: "O resultado do 1º semestre de 2007 totalizou 366,8 milhões de euros, o que representa um
crescimento homólogo de 83% e um ROE anualizado de 20,5%." Ao que consta, o BCP ganhou ainda mais, embora a aventura do BPI o tenha feito perder algum, e o resto dos bancos idem.
Quero aqui saudar os accionistas ganhadores, dar-lhes os meus parabéns em nome dos milhões de portugueses que passam as maiores dificuldades para pagar as prestações da casa, do número crescente de sem-abrigo que todas as noites estende os seus cartões na rua, da população idosa que adormece com barriga reconfortada a pão e leite, dos artistas que definitivamente deixaram de ter dinheiro para comer quanto mais para criar. Do país real, em suma.
Parabéns.
Mais um bocadinho e teremos as rodas dos ganhões, com homens ansiosos encostados às paredes enquanto o capataz aponta o dedo aos que nesse dia poderão alimentar as suas famílias.
Na nossa originalidade portuguesa conseguimos fazer o tempo andar para trás. Pelas minhas contas devemos estar para aí em 1973.
3 de agosto de 2007
2 de agosto de 2007
UMA ORAÇÃO DE SOPHIA
Numa altura em que os mais liberais de entre nós estão conscientes do triunfo do capitalismo mais selvagem, onde as editoras de livros ou de música lutam apenas pelo lucro, massacrando no caminho a razão inicial da sua existência, talvez este poema ajude:
"REZA DA MANHÃ DE MAIO
Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive."
Sophia de Mello Breyner Andresen
in "Dia do Mar"
Numa altura em que os mais liberais de entre nós estão conscientes do triunfo do capitalismo mais selvagem, onde as editoras de livros ou de música lutam apenas pelo lucro, massacrando no caminho a razão inicial da sua existência, talvez este poema ajude:
"REZA DA MANHÃ DE MAIO
Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive."
Sophia de Mello Breyner Andresen
in "Dia do Mar"
1 de agosto de 2007
FILMES
Esta curta tem feito uma bela carreira em festivais. Pode ser vista aqui (por agora), no site do festival de Motovun, Croácia (um conhecido evento que ocorre anualmente nessa pequena cidade, arrastando milhares de pessoas, durante 5 dias).
Esta curta tem feito uma bela carreira em festivais. Pode ser vista aqui (por agora), no site do festival de Motovun, Croácia (um conhecido evento que ocorre anualmente nessa pequena cidade, arrastando milhares de pessoas, durante 5 dias).
DE VOLTA AO PAÍS PATÉTICO

Logo de manhã, fui aos Correios, cheios que nem um ovo. Tiro a senha da vez, faltam quarenta números para ser atendido. Decido ir ao Minipreço que está à cunha, cheio de gente deprimida e pobre que não foi de férias porque como a maioria dos portugueses anda a bater com a perna uma na outra, que é como quem diz na antecâmara da fome. Compro ovos, maçãs baratas, pão e hesito nos iogurtes Actimel que são mais caros.
De volta aos correios, espero mais meia-hora pela minha vez de levantar uma carta registada das Finanças a ameaçar-me que me vão multar por não encontrarem um pagamento de imposto, que foi pago e de que até tenho recibo, mas que o sistema maravilhoso que o tipo do BCP-Impostos não detectou. Lá irei amanhã, mais uma hora para a fila da minha repartição, para mostrar o papelinho que eles deveriam ter visto.
O país dos ruben-filipes está igual a si mesmo. Eu é que acabei de chegar e ainda noto.

Logo de manhã, fui aos Correios, cheios que nem um ovo. Tiro a senha da vez, faltam quarenta números para ser atendido. Decido ir ao Minipreço que está à cunha, cheio de gente deprimida e pobre que não foi de férias porque como a maioria dos portugueses anda a bater com a perna uma na outra, que é como quem diz na antecâmara da fome. Compro ovos, maçãs baratas, pão e hesito nos iogurtes Actimel que são mais caros.
De volta aos correios, espero mais meia-hora pela minha vez de levantar uma carta registada das Finanças a ameaçar-me que me vão multar por não encontrarem um pagamento de imposto, que foi pago e de que até tenho recibo, mas que o sistema maravilhoso que o tipo do BCP-Impostos não detectou. Lá irei amanhã, mais uma hora para a fila da minha repartição, para mostrar o papelinho que eles deveriam ter visto.
O país dos ruben-filipes está igual a si mesmo. Eu é que acabei de chegar e ainda noto.
15 de julho de 2007
PENSAR
Foi divertido assistir à participação das pessoas nesta criação, "A Educação Sentimental". Algumas saíram de lá mais atentas, outras apenas satisfeitas com a experiência. Houve alguns que não perceberam nada, mas gostaram das meninas.
E muitos ficaram a falar com a "Mãe Maria", no papel de senhora incapaz de triunfar numa sociedade que privilegia o egoísmo e a superficialidade.
O meu obrigado ao C.E.M. pelo convite de participação no Festival Pedras d'Água.
Aqui ficam as fotos do evento. As restantes podem ser vistas no site do CEM.



Foi divertido assistir à participação das pessoas nesta criação, "A Educação Sentimental". Algumas saíram de lá mais atentas, outras apenas satisfeitas com a experiência. Houve alguns que não perceberam nada, mas gostaram das meninas.
E muitos ficaram a falar com a "Mãe Maria", no papel de senhora incapaz de triunfar numa sociedade que privilegia o egoísmo e a superficialidade.
O meu obrigado ao C.E.M. pelo convite de participação no Festival Pedras d'Água.
Aqui ficam as fotos do evento. As restantes podem ser vistas no site do CEM.
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